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				"title": "General Junkie e as minhas primeiras composições em perspectiva",
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Daí a comparação reiterada pela crítica musical local, do General com as bandas pernambucanas expoentes do <em>Manguebeat</em>, creio eu que sobretudo como consequência da proximidade dos natalenses com o <a href=\"https://www.instagram.com/bandaeddieoriginal\">Eddie</a>, que chegou inclusive a gravar <a href=\"https://open.spotify.com/track/6NVOYefsXKuUx2jzukSBnP?si=6c1b520da3504a94\">O Amargo</a>&quot;, composição de <a href=\"https://www.instagram.com/gustavolamartine\">Gustavo Lamartine</a>.</p>\n<p>Contudo, considerando as óbvias diferenças estéticas, acredito que é possível situar as composições do General Junkie num movimento (espontâneo e sem manifesto) nacional mais amplo da música independente brasileira daquele período, que se se permitia ir além de algumas convenções estéticas tão caras aos anos 1980, e que colocaria a banda potiguar na mesma linha evolutiva da música brasileira que também abrigaria nomes como os cariocas <a href=\"https://www.last.fm/pt/music/Acabou+la+Tequila\">Acabou La Tequila</a> e <a href=\"https://www.last.fm/pt/music/Mulheres+Q+Dizem+Sim\">Mulheres que Dizem Sim</a>.</p>\n<p>O General Junkie foi muito competente em dialogar com aquela tendência que acontecia na música brasileira da época, partindo do local, assumindo o sotaque natalense, e no caso das músicas registradas no disco, captando o que acontecia fora do Brasil, especialmente a rítmica do <em>Rage Against The Machine</em> e a abordagem guitarrística de <em>Tom Morello</em>, conscientemente assimiladas pela banda, como <a href=\"http://www.instagram.com/focadosol\">Anderson Foca</a> revelou no livro <a href=\"https://www.goodreads.com/book/show/60756027\">DoSol: 10 anos de música</a>, e mais recentemente, no <a href=\"https://open.spotify.com/show/37Z7bu8a3dOs9fVrBa9W8K\">podcast</a> que o <a href=\"http://www.dosol.com.br\">DoSol</a> lançou para celebrar os 20 anos de atividades enquanto combo cultural.</p>\n<iframe style=\"border-radius:12px\" src=\"https://open.spotify.com/embed/episode/7JedQ1gEqXXKeg3r778LUe?utm_source=generator&t=1510000\" width=\"100%\" height=\"352\" frameBorder=\"0\" allowfullscreen=\"\" allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\"></iframe>\n<p>O fato é que Gustavo, <a href=\"https://www.instagram.com/paulodusouto\">Paulo</a> e Marcelo lidaram com esse caldeirão de referências e chegaram a um disco cheio de personalidade e, mais importante, sem soar pastiche. Algo que eu certamente não consegui fazer com o <a href=\"https://soundcloud.com/republica5\">República 5</a>, a primeira banda em que toquei, nem com as primeiras composições que escrevi para o SeuZé.</p>\n<p>O <em>República 5</em> começou no final de 1999 e durou até o início de 2003, quando o <em>SeuZé</em> foi formado. Pelo menos entre o meu círculo de convivência, nesse período ainda era bastante forte o rescaldo cultural vindo dos anos 1990.</p>\n<p>Quando escrevi as minhas primeiras músicas, acho que em 1998 ou 1999, eu e alguns amigos do <em>Salesiano</em> de Natal ouvíamos muito Nirvana, Engenheiros do Hawaii e Paralamas. Assim esses meus primeiros esforços de composição remetiam a essas bandas e de certa forma eram canções mais ortodoxas no sentido de serem mais diretas e não sugerirem misturas entre gêneros e ritmos. Em algumas dessas primeiras produções eu escrevia letra e música, mas era bem comum à época eu musicar letras de alguns colegas da escola, principalmente de Carlos Henrique com quem estudei até o terminarmos o Ensino Médio, em 2000.</p>\n<p>Uma dessas parcerias deu origem à canção <em>Quem Somos Nós</em>, que originalmente foi pensada como um rock mais direto, bem na fonte dos Engenheiros, mas que quando trabalhada em ensaios pelo <em>República 5</em>, acabou ganhando uma pegada mais reggae, em grande parte por sugestão de Carlinhos, baterista da banda. Quem Somos Nós chegou a ser registrada numa demo que a minha primeira banda gravou no <em>Estúdio Cantus</em>, capitaneado por <a href=\"http://www.instagram.com/helderjclima\">Helder Lima</a>, à época baterista do <em>Cantus do Mangue</em>, banda de reggae seminal natalense. Essa gravação provavelmente foi feita em 2001 ou 2002, em dois canais. Posteriormente seria mixada por Rufino, um conhecido, numa sala do CEFET-RN.</p>\n<p><audio controls src=\"https://cdn.uploads.micro.blog/64953/2024/quem-somos-nos.m4a\"></audio><br>\n<em>O que me lembro de &ldquo;Quem Somos Nós&rdquo;, uma das minhas primeiras composições, em parceria com o amigo Carlos Henrique. Destaque para os trocadilhos gessingerianos</em></p>\n<p><a href=\"http://www.instagram.com/carlinhoscabralpersonal\">Carlinhos</a>, que além de baterista do <em>República</em>, era meu vizinho, era bastante curioso e tinha uma pegada de ouvir música com ouvido de pesquisador. Lembro que mais ou menos nessa época, num dia em que estávamos voltando da saudosa <a href=\"http://www.overmundo.com.br/guia/velvet-discos-na-rede\">Velvet Discos</a> para Lagoa Nova, bairro em que morávamos, ele me falou algo como:</p>\n<blockquote>\n<p>Para quem tem banda, um disco é como um livro</p>\n</blockquote>\n<p>De fato, boa parte da tendência que desenvolvi nesses primeiros anos de bandas, de pensar em arranjos sempre considerando a possibilidade de misturar ritmos e linguagens, veio através de Carlinhos. Foi ele quem me apresentou <a href=\"https://open.spotify.com/artist/7HnkRhoGqYLTasI52iJoE7/discography/album\">os discos de Chico Science</a>, o <a href=\"https://open.spotify.com/album/1EP0r79tCLFtNYPt7IPpOZ?si=3d9b3cc839ba40b9\">Guentando a ôia</a> - do <em>Mundo Livre</em> - e mais a frente, em 2002, o <a href=\"https://www.youtube.com/watch?v=B3HkCqkQt4o\">Alugam-se Asas Para o Carnaval</a>, do <em>Jorge Cabeleira</em>. Esse último exerceu um forte impacto em mim e influenciou decisivamente a estética que as primeiras composições do <em>SeuZé</em> seguiram, baseada numa mistura de rock, blues e baião.</p>\n<p>Acontece que a leitura que fiz de todas essas e bandas e discos foi, em alguma medida, ingênua e literal, como um Sérgio Leone sem intencionalidade e ironia. Ainda gosto de algumas ideias do <a href=\"https://open.spotify.com/album/6cI5UkVoMNu1mdfevC3Qiw?si=eb77f1cf476e4c9c\">Festival do Desconcerto</a>, do SeuZé, sobretudo considerando que só pudemos contar com um produtor experiente na mixagem do disco. Mas comparando hoje com o disco do General Junkie, o de estreia do SeuZé me soa ligeiramente pastiche e apressado no trato com as referências. E ao refletir sobre isso não o faço em tom de lamento, arrependimento ou juízo de valor, mas como uma observação que só o distanciamento temporal pode produzir.</p>\n",
				"date_published": "2023-02-03T13:54:00-03:00",
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