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		<title>Música em Versão Beta</title>
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		<description>Música, composição e impressões aleatórias sobre o cotidiano. Por Felipe Tavares.</description>
		<copyright>Copyright 2026 Felipe Tavares</copyright>
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		<lastBuildDate>Sun, 16 Aug 2026 17:02:00 -0300</lastBuildDate>
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				<title>General Junkie e as minhas primeiras composições em perspectiva</title>
				<link>https://felipetavares.micro.blog/2023/02/03/general-junkie-e.html</link>
				<pubDate>Fri, 03 Feb 2023 13:54:00 -0300</pubDate>
				
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				<description><![CDATA[<p><img src="https://cdn.uploads.micro.blog/64953/2024/cdbb5ccce7.jpg" alt=""><br>
<em>Capa do, até hoje, único disco do General Junkie</em></p>
<p>Recentemente estive ouvindo o clássico <a href="https://open.spotify.com/album/7FvvwrU6fxSHZBshkuDfrK?si=qixSC5OORgeI1o9R89n3Qw">disco homônimo do General Junkie</a>. Venho convivendo com esse álbum desde o seu lançamento, em 2002, mas o distanciamento tem me feito perceber algumas nuances até então ignoradas.</p>
<p>Apesar de lançado no início da primeira década dos anos 2000, o disco reuniu músicas que foram compostas ao longo dos anos 1990 e que carregavam marcas fortes daquele tempo, sobretudo no que diz respeito à mistura de ritmos e linguagens, tão próprias daquela década. Daí a comparação reiterada pela crítica musical local, do General com as bandas pernambucanas expoentes do <em>Manguebeat</em>, creio eu que sobretudo como consequência da proximidade dos natalenses com o <a href="https://www.instagram.com/bandaeddieoriginal">Eddie</a>, que chegou inclusive a gravar <a href="https://open.spotify.com/track/6NVOYefsXKuUx2jzukSBnP?si=6c1b520da3504a94">O Amargo</a>&quot;, composição de <a href="https://www.instagram.com/gustavolamartine">Gustavo Lamartine</a>.</p>
<p>Contudo, considerando as óbvias diferenças estéticas, acredito que é possível situar as composições do General Junkie num movimento (espontâneo e sem manifesto) nacional mais amplo da música independente brasileira daquele período, que se se permitia ir além de algumas convenções estéticas tão caras aos anos 1980, e que colocaria a banda potiguar na mesma linha evolutiva da música brasileira que também abrigaria nomes como os cariocas <a href="https://www.last.fm/pt/music/Acabou+la+Tequila">Acabou La Tequila</a> e <a href="https://www.last.fm/pt/music/Mulheres+Q+Dizem+Sim">Mulheres que Dizem Sim</a>.</p>
<p>O General Junkie foi muito competente em dialogar com aquela tendência que acontecia na música brasileira da época, partindo do local, assumindo o sotaque natalense, e no caso das músicas registradas no disco, captando o que acontecia fora do Brasil, especialmente a rítmica do <em>Rage Against The Machine</em> e a abordagem guitarrística de <em>Tom Morello</em>, conscientemente assimiladas pela banda, como <a href="http://www.instagram.com/focadosol">Anderson Foca</a> revelou no livro <a href="https://www.goodreads.com/book/show/60756027">DoSol: 10 anos de música</a>, e mais recentemente, no <a href="https://open.spotify.com/show/37Z7bu8a3dOs9fVrBa9W8K">podcast</a> que o <a href="http://www.dosol.com.br">DoSol</a> lançou para celebrar os 20 anos de atividades enquanto combo cultural.</p>
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<p>O fato é que Gustavo, <a href="https://www.instagram.com/paulodusouto">Paulo</a> e Marcelo lidaram com esse caldeirão de referências e chegaram a um disco cheio de personalidade e, mais importante, sem soar pastiche. Algo que eu certamente não consegui fazer com o <a href="https://soundcloud.com/republica5">República 5</a>, a primeira banda em que toquei, nem com as primeiras composições que escrevi para o SeuZé.</p>
<p>O <em>República 5</em> começou no final de 1999 e durou até o início de 2003, quando o <em>SeuZé</em> foi formado. Pelo menos entre o meu círculo de convivência, nesse período ainda era bastante forte o rescaldo cultural vindo dos anos 1990.</p>
<p>Quando escrevi as minhas primeiras músicas, acho que em 1998 ou 1999, eu e alguns amigos do <em>Salesiano</em> de Natal ouvíamos muito Nirvana, Engenheiros do Hawaii e Paralamas. Assim esses meus primeiros esforços de composição remetiam a essas bandas e de certa forma eram canções mais ortodoxas no sentido de serem mais diretas e não sugerirem misturas entre gêneros e ritmos. Em algumas dessas primeiras produções eu escrevia letra e música, mas era bem comum à época eu musicar letras de alguns colegas da escola, principalmente de Carlos Henrique com quem estudei até o terminarmos o Ensino Médio, em 2000.</p>
<p>Uma dessas parcerias deu origem à canção <em>Quem Somos Nós</em>, que originalmente foi pensada como um rock mais direto, bem na fonte dos Engenheiros, mas que quando trabalhada em ensaios pelo <em>República 5</em>, acabou ganhando uma pegada mais reggae, em grande parte por sugestão de Carlinhos, baterista da banda. Quem Somos Nós chegou a ser registrada numa demo que a minha primeira banda gravou no <em>Estúdio Cantus</em>, capitaneado por <a href="http://www.instagram.com/helderjclima">Helder Lima</a>, à época baterista do <em>Cantus do Mangue</em>, banda de reggae seminal natalense. Essa gravação provavelmente foi feita em 2001 ou 2002, em dois canais. Posteriormente seria mixada por Rufino, um conhecido, numa sala do CEFET-RN.</p>
<p><audio controls src="https://cdn.uploads.micro.blog/64953/2024/quem-somos-nos.m4a"></audio><br>
<em>O que me lembro de &ldquo;Quem Somos Nós&rdquo;, uma das minhas primeiras composições, em parceria com o amigo Carlos Henrique. Destaque para os trocadilhos gessingerianos</em></p>
<p><a href="http://www.instagram.com/carlinhoscabralpersonal">Carlinhos</a>, que além de baterista do <em>República</em>, era meu vizinho, era bastante curioso e tinha uma pegada de ouvir música com ouvido de pesquisador. Lembro que mais ou menos nessa época, num dia em que estávamos voltando da saudosa <a href="http://www.overmundo.com.br/guia/velvet-discos-na-rede">Velvet Discos</a> para Lagoa Nova, bairro em que morávamos, ele me falou algo como:</p>
<blockquote>
<p>Para quem tem banda, um disco é como um livro</p>
</blockquote>
<p>De fato, boa parte da tendência que desenvolvi nesses primeiros anos de bandas, de pensar em arranjos sempre considerando a possibilidade de misturar ritmos e linguagens, veio através de Carlinhos. Foi ele quem me apresentou <a href="https://open.spotify.com/artist/7HnkRhoGqYLTasI52iJoE7/discography/album">os discos de Chico Science</a>, o <a href="https://open.spotify.com/album/1EP0r79tCLFtNYPt7IPpOZ?si=3d9b3cc839ba40b9">Guentando a ôia</a> - do <em>Mundo Livre</em> - e mais a frente, em 2002, o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=B3HkCqkQt4o">Alugam-se Asas Para o Carnaval</a>, do <em>Jorge Cabeleira</em>. Esse último exerceu um forte impacto em mim e influenciou decisivamente a estética que as primeiras composições do <em>SeuZé</em> seguiram, baseada numa mistura de rock, blues e baião.</p>
<p>Acontece que a leitura que fiz de todas essas e bandas e discos foi, em alguma medida, ingênua e literal, como um Sérgio Leone sem intencionalidade e ironia. Ainda gosto de algumas ideias do <a href="https://open.spotify.com/album/6cI5UkVoMNu1mdfevC3Qiw?si=eb77f1cf476e4c9c">Festival do Desconcerto</a>, do SeuZé, sobretudo considerando que só pudemos contar com um produtor experiente na mixagem do disco. Mas comparando hoje com o disco do General Junkie, o de estreia do SeuZé me soa ligeiramente pastiche e apressado no trato com as referências. E ao refletir sobre isso não o faço em tom de lamento, arrependimento ou juízo de valor, mas como uma observação que só o distanciamento temporal pode produzir.</p>
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